Mons. Dr. Reinhard Knittel (Editor)
Novena
pedindo a intercessão e
Canonização do Beato
Imperador Carlos
da Áustria
com excertos de Ein Kaiser Stirbt
do Prof. Dr. Karl Zebner-Spitzenberg
(Lins-Verlag, Altenstadt).
Imprimatur dado em 6.9.1998
pelo Bispo Dom Kurt Krenn, St. Pölten
Índice
Prefácio do Presidente da Liga de Oração
Curriculum vitae
Palavras do Papa São Pio X
Oração para a Canonização
Novena:
Primeiro dia: Veneração para com o Santíssimo Sacramento
Segundo dia: Um Imperador devoto do Sagrado Coração de Jesus
Terceiro dia: Uma vida de sacrifício
Quarto dia: Partilhar da Paixão de Cristo – Grandeza no sofrimento
Quinto dia: “Amai os vossos inimigos”
Sexto dia: Pai dedicado
Sétimo dia: O Soberano
Oitavo dia: Fiel cumprimento da vontade de Deus
Nono dia: A Bem-aventurada Virgem Maria
Informações a respeito da Liga de Oração do Imperador Carlos para a Paz dos Povos
BISPO DE ST. PÖLTEN
Na qualidade de Presidente da Liga de Oração do Imperador Carlos, tenho a grande alegria de apresentar esta Novena a todos os homens de boa vontade. Com o seu auxílio, a espiritualidade do Servo de Deus, o Imperador Carlos I da Áustria, tornar-se-á acessível e será usada pelo maior número possível de pessoas que, rezando-a e imitando os exemplos nela apresentados, farão com que todos nós sejamos abençoados. Mediante o culto que a ele prestamos, possam se cumprir as palavras do salmo no qual é dito que o justo será para sempre lembrado (Sl 111,6).
E hoje – 76 anos depois de sua morte precoce no exílio – a retidão de sua personalidade é tão importante e relevante como nunca o foi, em especial para uma Europa unida, como prova autêntica de que um Chefe de Estado pode, e deve, seguir os ditames de uma consciência retamente formada no desempenho de seus deveres, mesmo se isso vier a exigir sacrifícios pessoais ou desvantagens.
Possa o Servo de Deus permanecer como uma promessa de bênçãos a descer sobre a Europa unida, a qual só pode existir pela fé em Deus.
St. Pölten, 7 de agosto de 1998.
Signature
Datas importantes da vida do Beato Imperador Carlos da Áustria
17 de agosto de 1887
O Arquiduque Carlos Francisco José nasce no Castelo de Persenbeug. É batizado dois dias mais tarde, pelo Bispo de St. Pölten, Dom Matthias Binder.
1895
Tendo por base um pedido de Madre Vinzentia, mística estigmatizada, forma-se, através do Conde e da Condessa Wallis, amigos da família do Arquiduque, um grupo de oração. Este grupo de oração dedica-se a rezar pelo bem do Arquiduque Carlos.
21 de outubro de 1911
O Arquiduque Carlos casa-se com a Princesa Zita de Bourbon-Parma, na Villa de Schwarzau, em Steinfeld.
20 de novembro de 1912
Nasce o Arquiduque Otto, primogênito de Carlos e Zita, na Villa Wartholz, em Reichenau.
28 de junho de 1914
O Herdeiro Presuntivo, Arquiduque Francisco Ferdinando, é assassinado em Saravejo, Bósnia. O Arquiduque Carlos tem 27 anos quando se torna o novo Herdeiro Presuntivo.
28 de julho de 1914
A Áustria declara guerra contra a Sérvia. O futuro Imperador Carlos não pertence ao Conselho Privado da Coroa de Francisco José I e não tomou parte nesta declaração.
21 de novembro de 1916
Morre o Imperador Francisco José. Conforme as leis da Dinastia dos Habsburgo, com a morte do Imperador Francisco José, o Herdeiro Presuntivo torna-se automaticamente Imperador da Áustria, sem necessidade de nenhuma cerimônia. Em seu Manifesto de Ascensão ao trono, o Imperador Carlos afirma: “Farei tudo o que está em meu poder para banir os horrores e sacrifícios da guerra o mais breve possível e restituir aos meus povos a dolorosamente perdida bênção da paz”.
30 de dezembro de 1916
Solene coroação do Imperador Carlos como Rei da Hungria, com a Coroa de Santo Estevão; a consagração como soberano é administrada pelo Primaz da Hungria. A Imperatriz Zita é coroada Rainha.
30 de outubro de 1918
Uma Assembléia Nacional provisória é criada. Em Viena, o Parlamento Imperial é dissolvido, mas membros da Áustria germânica permanecem atrás. O “Manifesto do Povo” do Imperador Carlos, que criava um Império federal constituído de nações-estado e que fora promulgado em 16 de outubro de 1918, foi rejeitado pela Assembléia Nacional Checa que declara, então, sua independência.
11 de novembro de 1918
Ao Imperador Carlos é apresentado um decreto de abdicação que dá poder à Assembléia Nacional provisória. O Imperador recusa-se a abdicar porque Deus lhe deu o trono como uma responsabilidade sagrada. É assinado apenas um compromisso em que ele renuncia o envolvimento pessoal na formação de um novo governo. Nesta mesma tarde, a Família Imperial deixa o Palácio de Schönbrunn e estabelece sua residência em Eckartsau.
12 de novembro de 1918
A Assembléia Nacional transitória forma a República da Áustria e separa-se da Áustria-Hungria.
Fevereiro de 1919
O Tenente Coronel Strutt é destacado pelo Governo inglês para proteger a Família Imperial.
4 de março de 1919 A Família Imperial é conduzida para o exílio na Suíça. O Imperador Carlos continua firme na sua recusa em abdicar. Depois de sua partida, um decreto permanente é promulgado, banindo a Casa Imperial e confiscando todos os seus bens pessoais.
Páscoa de 1921
O Imperador Carlos tenta a restauração de seu trono na Hungria. O Almirante Horthy, Regente do Rei, convence o Imperador Carlos a retornar para a Suíça.
Outubro de 1921
Uma segunda tentativa de restauração na Hungria é empreendida. O Almirante Horthy trai o seu Rei, que estava acompanhado da Imperatriz Zita, tornando a ambos prisioneiros. Entrega-os à custódia da Entente que decide bani-los para um lugar não revelado.
19 de novembro de 1921
O Imperador Carlos e a Imperatriz Zita chegam ao destino final de seu exílio: Funchal, na Ilha da Madeira.
Janeiro de 1922
Com muitas restrições, a Imperatriz Zita tem licença de viajar para a Suíça a fim de estar com o Arquiduque Roberto, que se recupera de uma cirurgia de apendicite. Na sua viagem de volta, via Portugal, ela tem a autorização de trazer consigo seus outros filhos.
Meados de fevereiro de 1922
Por absoluta falta de dinheiro e créditos, o Imperador muda-se com sua família para uma casa de verão úmida e sem aquecimento, que lhe é oferecida gratuitamente pelo seu proprietário.
9 de março de 1922
O Imperador apanha um resfriado durante uma caminhada para visitar Funchal. Porque não tem dinheiro, nenhum médico é chamado para examiná-lo até o dia 21 de março. Um pulmão está infectado e, apesar dos dolorosos tratamentos, a infecção alastra-se para ambos os pulmões.
1 de abril de 1922
Às 12:23 hs, o Imperador Carlos morre com a idade de 34 anos, depois de ter oferecido a Deus sua vida como sacrifício para o bem de seus povos. Antes de sua morte, perdoa a todos os seus inimigos. A Imperatriz fica sem dinheiro, viúva e mãe de sete filhos com idades entre 9 e 1 ano. Uma oitava criança nascerá dois meses depois da morte do Imperador.
3 de outubro 2004
O Papa João Paulo II beatificou, na Praça de São Pedro, o Imperador Carlos da Áustria. Sua festa litúrgica foi designada para o dia 21 de outubro, data do casamento de Carlos com Zita.
Palavras do Papa São Pio X a respeito do Beato Imperador Carlos da Áustria
“Carlos é um presente do céu por tudo o que a Áustria fez pela Igreja”.
(Durante uma audiência com a Família Ducal de Parma)
“Abençôo o Arquiduque Carlos, que será o futuro Imperador da Áustria e que ajudará a conduzir suas terras e seus povos a uma grande glória, trazendo-lhes muitas bênções. Mas, isso não será conhecido a não ser depois de sua morte”.
(Durante uma audiência com o jovem Arquiduque Carlos da Áustria)
Oração para a Canonização do Beato Imperador Carlos da Áustria
Ó Pai celeste, através do Beato Imperador Carlos, vós destes à vossa Igreja e ao Povo de Deus um exemplo de como se pode viver uma vida de discernimento e espiritual, de maneira convincente e corajosa.
Seus atos públicos como Imperador e Rei, e suas ações como chefe de família, estavam firmemente baseados nos ensinamentos da fé católica. Seu amor pelo Senhor Eucarístico cresceu em tempos de aflição e ajudou-o a unir-se ao sacrifício de Cristo através do sacrifício de sua própria vida pelos seus povos. O Imperador Carlos honrou a Mãe de Deus e, ao longo de toda a sua vida, rezou com amorosa devoção o terço.
Quando o desânimo, a covardia, a solidão, a amargura e a depressão vierem nos abater, dai-nos força, por sua intercessão. Fazei que sigamos o exemplo do vosso fiel servo e que assistamos, desinteressadamente, aos nossos irmãos e irmãs de acordo com a vossa vontade.
Ouvi minhas súplicas e atendei o meu pedido (menciona-se, aqui, a intenção).
Dai ao Beato Carlos da Áustria a honra de ser canonizado, para a glória do vosso nome, o louvor da Bem-aventurada Virgem Maria e para obtermos bênçãos sobre a vossa Igreja. Amém.
Primeiro Dia: Veneração para com o Santíssimo Sacramento
O Beato Carlos viveu sob a glória do Santíssimo Sacramento. Os raios de graça que procediam deste resplendor atraíram-no, e agradava-lhe visitar o tabernáculo. Quer cansado devido às solicitações do governo, quer como o modo usual de iniciar seu dia, ele buscava orientação e consolo diante de Jesus Cristo no tabernáculo. Em todos os lugares em que viveu, procurou ter uma capela privada onde o Santíssimo Sacramento pudesse ser conservado. Sua devoção para com a Eucaristia manifestou-se mesmo em pequenos detalhes, como na sua preocupação para que a lamparina do santuário nunca estivesse apagada. Várias vezes durante o dia, ele costumava dizer: “Preciso ir ver se a lamparina do altar ainda está queimando”. Quando dizia isso, todos sabiam que ficaria afastado por algum tempo, rezando de joelhos diante do Santíssimo Sacramento.
Sua oração e meditação eram tão profundas que, não raro, ele não percebia o que estava acontecendo ao seu redor. Por exemplo, com freqüência, ficava tão absorto em oração que não se dava conta de que a cesta da coleta estava sendo passada. Com o intuito de não perturbá-lo, a Imperatriz Zita persuadiu-o a segurar sua oferta na mão desde o início da Missa, de modo que ela poderia, assim, cutucar seu braço para que ele lançasse o dinheiro na cesta no momento oportuno.
O Padre Maurus Carnot, O.S.B., testemunhou a respeito do Imperador Carlos: “Em Disentis [Suíça], não importava se estava nevando ou se havia acúmulos de neve no caminho, era sempre pontual para a Santa Missa na Igreja de Santa Maria, onde recebia a Santa Comunhão durante as Missas em que o Príncipe Herdeiro Otto, com seus cabelos cacheados de criança, servia como coroinha...”
Durante a doença que levou o Imperador à morte, ele teve os mais fortes desejos de receber, com freqüência, a Santa Comunhão. A Santa Missa era regularmente celebrada na sala contígua ao seu quarto de enfermo. No início, a porta era deixada entreaberta, de maneira que ele pudesse assistir à Missa sem perder a privacidade ou pôr outras pessoas em risco de contágio, mas logo pediu para que a porta fosse deixada bem aberta, dizendo: “Desejo muito ver o altar!” Tinha tanto respeito para com a Eucaristia que, certa vez, ia privar-se de recebê-la por temer que seus constantes acessos de tosse viessem a profanar a hóstia. É de se notar que, durante os ritos sagrados, sua tosse cessou completamente e ele pôde comungar. Em outra ocasião, durante a Missa, ele sentiu-se impelido pelo Senhor a receber a Comunhão. Quando disse à Imperatriz Zita que comunicasse ao sacerdote que ele desejava comungar, ela lhe respondeu que isso seria impossível, pois a Condessa Mensdorff iria receber a única hóstia consagrada. Não houve meios de dissuadir o Imperador Carlos e, então, a Imperatriz Zita dirigiu-se ao sacerdote e viu que também ele deveria ter ouvido uma voz interior, pois tinha consagrado mais uma hóstia para o Imperador.
Assim como o Imperador Carlos viveu, assim também morreu. Durante a vida, ele estava unido a Nosso Senhor Eucarístico, e o Santíssimo Sacramento foi o centro de sua vida quando de sua morte. Meia hora antes de falecer, desejou receber a Santa Comunhão. Embora suas feições estivessem pálidas e macilentas devido à longa e extenuante luta contra a doença, seu rosto resplandeceu de alegria quando recebeu a Eucaristia. Este brilho permaneceu em sua fisionomia depois da morte. Nos derradeiros momentos do Imperador, o Padre Zsámboki segurou o Santíssimo Sacramento diante de seus olhos e, na presença da Eucaristia, ele pronunciou suas últimas palavras: “Seja feita a vossa vontade. Jesus, Jesus, vinde!” Com seu último suspiro, disse baixinho: “Jesus!”
Agora, ele já entrou naquela luz eterna simbolizada pela lamparina do santuário, da qual ele tão esmeradamente cuidou em sua capela.
Oração:
Meu Senhor e meu Deus, conforme o maravilhoso exemplo do vosso servo, o Imperador Carlos, irei visitá-lo freqüentemente no tabernáculo e recebê-lo com alegria e desejo no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Ouvi minhas súplicas e atendei o meu pedido (menciona-se, aqui, a intenção) por intercessão do Beato Imperador Carlos da Áustria.
Segundo Dia: Um Imperador devoto do Sagrado Coração de Jesus
“Jesus, manso e humilde de Coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso”. No dia 2 de outubro de 1918, o Beato Carlos consagrou sua pessoa e sua família ao Sagrado Coração de Jesus.
Mediante seu sofrimento por ser mal compreendido, difamado e perseguido, mediante sua disposição para sacrificar a própria vida em favor de seus povos, mediante seu exílio e, ainda, mediante a penosa doença que o conduziu à morte, o Imperador Carlos permitiu que seu coração fosse forjado em união com o Sagrado Coração de Jesus.
Mesmo no exílio e doente, ele levou muito a peito e com grande seriedade seus deveres de monarca e pai de seus povos. Em virtude de sua enfermidade, a Imperatriz Zita lia-lhe os jornais, mas percebia que os artigos excitavam-no e faziam-no preocupar-se muito. Insistiu com ele para que não lhe pedisse para fazer-lhe as leituras, pois aquilo não era bom para sua saúde. Mas, o Imperador Carlos replicou: “Estar informado é meu dever, não meu prazer. Por favor, leia!”
Sua devoção para com o Sagrado Coração de Jesus fortaleceu-o durante sua dolorosa e última doença. Em seu leito de enfermo, disse à Condessa Mensdorff: “É tão bom ter fé no Sagrado Coração de Jesus! Se não fosse isso, seria impossível suportar esses sofrimentos”.
O Beato Carlos, por toda a sua vida e também durante sua doença, trouxe, debaixo do seu travesseiro, uma imagem do Sagrado Coração de Jesus. Certa vez, quando a Imperatriz Zita quis que ele conseguisse ter um pouco do tão necessário sono, ela tirou o quadro de debaixo do travesseiro e segurou-o diante dos olhos do Imperador, dizendo-lhe que era absolutamente necessário que ele dormisse e que, portanto, deveria pedir isso ao Senhor. O Imperador fixou seus olhos na imagem e, premente, mas devotamente, disse: “Meu amado Salvador, por favor, concedei-me dormir”. Então, ele pôde adormecer e repousar por três bem necessárias horas.
Oração:
Meu Senhor e meu Deus, conforme o maravilhoso exemplo do vosso servo, o Imperador Carlos, também eu desejo consagrar-me ao vosso Sagrado Coração. Ouvi minhas súplicas e atendei o meu pedido (menciona-se, aqui, a intenção) por intercessão do Beato Imperador Carlos da Áustria.
Terceiro Dia: Uma vida de sacrifício
“Não há maior prova de amor, que dar a vida pelo amigo”.
Na época em que o Beato Imperador Carlos foi exilado para a Ilha da Madeira, sua vida já era uma vida feita de sacrifícios pelos outros.
Ele perdera sua pátria, seu Império e seu trono. Seu próprio povo confiscou-lhe a fortuna privada e suas propriedades. Sem dinheiro, sem amigos e sem condições de ganhar a vida, tinha para sustentar a esposa, sete filhos e um outro ainda por nascer. Foi forçado a viver, sob a vigilância estrangeira, numa ilha distante, numa casa desagradavelmente úmida que não tinha condições de ser habitada. Contudo, apesar de todas essas provações, ele estava heroicamente pronto a sacrificar-se pelos outros.
O único sacrifício que ainda lhe restava fazer era o de oferecer sua vida. Por meio de suas orações, convenceu-se de que Deus desejava que ele fizesse esse sacrifício final pela salvação de seus povos.
Ao longo de toda sua existência, e durante suas tribulações, o Imperador comungava todos os dias, sempre que possível. Mesmo no final de sua vida, levou avante este costume e, em união com a hóstia sobre a patena, que se torna o Santo Sacrifício do Divino Cordeiro de Deus, ia oferecer-se completamente à vontade do Pai pela salvação de seus povos.
A igreja favorita do Imperador na Ilha da Madeira era a de Nossa Senhora do Monte, a qual podia ser avistada a milhas de distância. Certa vez, ele estava conversando com sua esposa enquanto tinham a igreja diante deles. Declarou, então, que Deus lhe pedia que desse sua vida pelo bem de seus povos. A Imperatriz, aturdida, ficou sem palavras, mas com um olhar resoluto, o Imperador fitou a igreja e disse: “Eu o farei!”
Logo depois disso, Deus aceitou o voto do Imperador. Repentinamente, ele caiu doente e sofreu uma morte precoce. As proféticas palavras pronunciadas pelo Papa São Pio X, no encontro com Carlos quando este era ainda um jovem Arquiduque, tiveram seu cumprimento: “Abençôo o Arquiduque Carlos, que será o futuro Imperador da Áustria e que ajudará a conduzir suas terras e seus povos a uma grande glória, trazendo-lhes muitas bênções. Mas, isso não será conhecido a não ser depois de sua morte”.
Oração:
Meu Senhor e meu Deus, agradeço-vos pelo sacrifício que o Imperador Carlos fez de sua vida. Ajudai-me a seguir seu abnegado exemplo e não vos recusar nenhum dos sacrifícios que vierdes a me pedir. Ouvi minhas súplicas e atendei o meu pedido (menciona-se, aqui, a intenção) por intercessão do Beato Imperador Carlos da Áustria.
Quarto Dia: Partilhar da Paixão de Cristo – Grandeza no sofrimento
Embora o Imperador Carlos tenha sido forçado a viver no exílio e tivera que se mudar com sua família para uma casa pequena e apertada no alto de uma montanha em Funchal, ele manteve uma atitude positiva e uma alegre disposição. Àqueles que lhe perguntavam, haveria de responder: “Estamos, imerecidamente, muito bem”. Seguindo o exemplo de Cristo, ele, de boa vontade, tomou sua própria cruz pela salvação de seus povos. Ofereceu seus sofrimentos a Cristo crucificado: seu exílio; sua preocupação pelo bem-estar de sua pátria e de seus povos; sua preocupação com sua família, à qual faltavam não só comida e recursos médicos, mas que estava habitando numa casa úmida, sem aquecimento e má mobiliada.
Como Cristo suportou os escárnios dos soldados trazendo a coroa de espinhos, o manto de púrpura e a cana, assim também o Beato Carlos sofreu a zombaria de seus inimigos. Ele, trazendo os emblemas, participou misticamente da Paixão de Cristo através do sofrimento causado pela condenação proveniente de seus próprios Ministros e pelo seu exílio. Até mesmo a traição por parte daqueles que lhe eram mais próximos não lhe foi poupada.
E, no entanto, em meio a tudo isso, o Imperador Carlos podia ainda dizer: “Agradeço ao nosso amável Deus por tudo o que ele me envia”.
Como Jesus suou sangue no Horto das Oliveiras, também o Imperador Carlos sofreu terrivelmente de suores no decorrer de sua última doença. Numa crise particularmente forte, disse à Arquiduquesa Maria Teresa: “Vovó, eu lhe peço: ajude-me a não suar tanto!” Ao que ela retrucou: “Os médicos dizem que é bom para você”. O Imperador Carlos respondeu: “Mas, temo que não vou conseguir suportar isso por muito mais tempo”. Então, a Arquiduquesa apontou para o crucifixo que ele segurava em suas mãos e afirmou: “... por nós, Ele suou sangue”. Seus olhos seguiram aquele gesto. Ele fixou demoradamente o crucifixo e, em seguida, aquiesceu balançando a cabeça várias vezes. A partir daquele momento, o Beato Carlos nunca mais voltou a falar a respeito dessa sua aflição, embora continuasse a padecer com esses suores até sua morte.
Sua doença agravou-se e seus sofrimentos incluíram respiração ofegante, infecções nos braços em virtude das muitas injeções que lhe foram aplicadas, queimaduras provenientes dos emplastos de mostarda, além de outras quatro grandes queimaduras no pescoço e nos ombros onde lhe foram aplicados vesicatórios. Sua cabeça precisou ficar apoiada, pois estava muito fraco para mantê-la erguida por si só. E, apesar desses sofrimentos pessoais, ele ainda mantinha-se atento e preocupado com os outros – em especial com seus filhos – e com a possibilidade de que sua doença pudesse ser contagiosa.
Os médicos que o atendiam afirmaram que nunca tinham visto tamanha força de vontade como observaram no Imperador. Ele exerceu um notável autodomínio durante toda a sua doença, e suas capacidades mentais não se alteraram apesar das febres e da intensa dor. Notaram que, por uma única vez, o Imperador deslizou e cumprimentou-os em alemão, ao invés de usar a língua que lhes era comum: o francês.
O Beato Carlos rezou constantemente até o derradeiro instante. Os médicos, que acabaram se sentindo muito orgulhosos de seu paciente Imperial, choraram como crianças ao constatar que não poderiam evitar a sua morte ou aliviar-lhe a dor e o sofrimento. Antes de morrer, ele afirmou: “Declaro que o Manifesto de Novembro é nulo e inválido porque foi forçado. Ninguém pode negar ou anular o fato de que eu sou o Rei Coroado da Hungria”.
Às 10:00 hs da manhã, o Imperador disse: “Preciso sofrer tanto assim para que meus povos possam se unir novamente”. Então, logo depois do meio-dia, às 12:23 hs, os sofrimentos do Imperador cessaram para sempre.
Oração:
Meu Senhor e meu Deus, o Imperador Carlos percorreu humildemente o caminho da cruz convosco. Ajudai-me a seguir seu exemplo e, por vosso amor, carregar as cruzes do meu dia a dia. Ouvi minhas súplicas e atendei o meu pedido (menciona-se, aqui, a intenção) por intercessão do Beato Imperador Carlos da Áustria.
Quinto Dia: “Amai os vossos inimigos”
O Imperador viveu heroicamente o mandamento do amor aos inimigos.
Durante toda a sua vida, ele, continuamente e de maneira exemplar, perdoou aos outros. De fato, o Imperador Carlos sofreu muito por causa de mentiras, difamações e muitas injustiças ao longo de toda a sua existência. E ainda, o último exemplo de seu perdão aos outros foram as palavras pronunciadas no seu leito de morte: “Perdôo a todos os meus inimigos, a todos os que me difamaram e a todos que trabalharam contra mim”.
Aos 5 de abril de 1925, Rodolfo Brougier, antigo ajudante de campo, escreveu suas memórias a respeito do Imperador Carlos antes de sua ascensão ao trono, em 1916: “[Ele tinha] uma autêntica fé em Deus, era de coração bom e generoso, encantadoramente agradável, incansavelmente fiel ao dever e possuía uma excepcional aptidão para a liderança militar. Sua disposição naturalmente humilde e sincera foi fortalecida por sua adequada educação. Ele não tinha ares, nem a necessidade de estar representando para o povo. Com a mais desafetada satisfação, aceitou seu pesado fardo, embora esse peso já estivesse sobrecarregando-o. A coragem do Arquiduque e a falta de medo com relação à própria segurança pessoal já eram bem conhecidas e admitidas; o desdém pelo perigo que sua pessoa poderia correr permaneceu uma de suas características como Imperador, mesmo durante os tempos difíceis”.
Por outro lado, o Beato Carlos sentia-se completamente responsável pelo bem-estar de seus súditos. “Seu comportamento de pura caridade, ao lado de sua profunda fé, constituiu a principal força motriz de sua persistente luta pela paz. Em 1916, na qualidade de Herdeiro Presuntivo, ele já considerava sua meta fundamental a obtenção de um rápido e digno fim da guerra. Desde o primeiro dia de sua ascensão ao trono, ele empenhou todos os seus esforços em favor desta meta: proteger os povos do Império de ulteriores sacrifícios e governar como um Imperador da paz sobre uma Áustria rejuvenescida”.
É difícil acreditar que um homem com tais virtudes e nobre caráter pôde ser objeto de tão amargas oposições e calúnias, de modo que a honra de seu bom nome pudesse ser destruída. O Imperador não só sofreu o confisco de suas propriedades privadas, mas também seu bom nome foi destruído por mentiras e falsidades.
A Sagrada Escritura ensina que o grau de santidade pode ser medido pela capacidade de amar o próprio inimigo. Sob a luz deste critério, podemos assegurar que o Beato Carlos atingiu um alto grau de virtude.
Oração:
Meu Senhor e meu Deus, vós nos ensinais no “Pai Nosso” a perdoarmos as ofensas dos outros de modo que também as nossas ofensas sejam perdoadas. Ajudai-me a imitar o exemplo do Imperador Carlos para que eu venha a perdoar todas as injustiças cometidas contra mim. Ouvi minhas súplicas e atendei o meu pedido (menciona-se, aqui, a intenção) por intercessão do Beato Imperador Carlos da Áustria.
Sexto Dia: Pai dedicado
Um dos maiores sofrimentos do Imperador Carlos foi a separação de seus filhos, quando que ele e a Imperatriz Zita foram exilados para a Ilha da Madeira. As crianças permaneceram na Suíça até que a Imperatriz Zita, com muitas restrições, pôde viajar e trazê-las consigo para a Ilha da Madeira.
O texto abaixo é um relato do reencontro da família: “No dia 2 de fevereiro, [o Imperador Carlos] encontrou a Imperatriz Zita e seus filhos – exceto o Arquiduque Roberto [porque estava se recuperando de uma cirurgia de apêndice] – para acompanhá-los, bem como à Arquiduquesa Maria Teresa, até Funchal. O Imperador Carlos estava de pé no píer. A alegria das crianças era indescritível, ao cumprimentá-lo, com exuberantes abraços, quando ele subiu a bordo do navio. Lágrimas rolaram sobre a face do Imperador, enquanto carregava em seus braços o pequeno Arquiduque Rodolfo pela escada do costado. Os criados que vieram com as crianças ficaram chocados ao ver quão cansado e envelhecido tinha se tornado o seu soberano. Mas era impossível ver algum sinal de amargura em seu rosto ou ouvi-lo dizer qualquer palavra ríspida”.
Durante a doença que o conduziu à morte, o Imperador sentia grande prazer quando podia escutar, de seu leito de enfermo, as vozes de seus filhos através da janela, e se, quando os chamava em alta voz, eles conseguiam ouvi-lo.
No transcorrer de sua fatal doença, mostrou-se atencioso e preocupado pelo bem-estar dos outros e de seus filhos, devido ao perigo de contágio e ao trauma por vê-lo assim tão enfermo. De todos eles, apenas o Arquiduque Otto, na qualidade de seu Herdeiro, foi chamado ao seu leito de morte, pois ele desejava dar ao jovem Arquiduque o exemplo de como um monarca e um católico depara-se com a morte. Como Otto chorasse soluçando ao ver seu pai lutando com a morte, ele foi confortado por sua mãe. O Imperador quis poupar às demais crianças o contágio e traumas.
Uma das últimas orações que o Imperador pronunciou pouco antes de morrer foi por todos os seus filhos, os quais mencionou por nome, colocando-os sob a especial proteção do Senhor. A Arquiduquesa Maria Teresa ouviu, por acaso, o Imperador rezando por eles e dá o seguinte relato: “‘Meu amado Salvador, protegei os nossos filhos: Otto, Mädi, Roberto, Felix, Carlos Luís... Quem, mesmo, vem depois?’ A Imperatriz o ajudou: ‘Rodolfo’. ‘Rodolfo, Lotti e, especialmente, o mais novo pequenino [a Imperatriz estava esperando a Arquiduquesa Elisabete, que nasceu depois da morte do Imperador]. Preservai-os no corpo e na alma, e deixai-os antes morrer que cometer um pecado mortal. Amém. Seja feita a vossa vontade. Amém’”.
Oração:
Meu Senhor e meu Deus, eu vos agradeço pelo Beato Carlos ter amado sua família e a ter confiado à vossa vontade e ao vosso plano divino, que ele tanto prezava. Ouvi minhas súplicas e atendei o meu pedido (menciona-se, aqui, a intenção) por intercessão do Beato Imperador Carlos da Áustria.
Sétimo Dia: O Soberano
Testemunhas louvam o profundo senso de dever do Beato Carlos. Concebia o cargo de Imperador a ele confiado como uma missão sagrada e via-se a si mesmo como um pai para seus povos. Durante uma conversa com o Conde Polzer-Hoditz, aos 28 de abril de 1917, o Imperador disse: “No entanto, tudo se resume simplesmente em ajudar tanto quanto se pode ajudar. Como Imperador, devo dar o bom exemplo. Se todos apenas praticassem seus deveres de cristão, não haveria tanto ódio e miséria no mundo”. Seu amor pelo próximo foi exemplar. Para aliviar o sofrimento de seu povo esgotado pela guerra, o Imperador Carlos ordenou que os cavalos e carroças do palácio fossem colocados a serviço da entrega de carvão à população vienense; doou grande parte de sua fortuna particular; e até mesmo deu roupas de seu próprio uso para os necessitados.
Em 1914, no início a guerra, o futuro Imperador declarou para uma multidão que se reunira, à frente do Palácio de Hetzendorff, apoiando a guerra: “Todos aqueles que me conhecem, sabem como eu amo a Áustria e a Hungria. Não posso recuar no momento de sua necessidade. Todos aqueles que me conhecem sabem também o quanto eu sou um soldado e como fui treinado para situações de guerra. Contudo, eu simplesmente não posso entender como as pessoas podem acolher a esta guerra – ainda que justa – com tanto júbilo. A guerra, afinal, é algo pavoroso”. Em 1938, o Dr. Friedrich Funder escreveu a respeito do Imperador Carlos: “Ele foi o único Chefe de Estado que buscou incessantemente os meios para terminar a guerra... e fez isso usando todo o seu ser, com amigos e inimigos. Se as circunstâncias tivessem corrido segundo o desejo e os esforços do Imperador Carlos, milhões de vidas perdidas nas batalhas – e não só austríacas – teriam sido poupadas, a terrível degradação do povo alemão teria sido evitada e a Europa teria gozado de uma paz duradoura até os nossos dias”.
O Imperador Carlos tinha a mais íntima convicção de que Deus lhe havia confiado a coroa e, por causa desta certeza, a coroação real na Hungria teve um grande significado para ele. Passados cinqüenta anos deste acontecimento, a Imperatriz Zita referiu-se assim à coroação: “Aquilo que mais nos impressionou em toda a cerimônia foi o tocante lado litúrgico que a perpassava – em especial, os juramentos que o Rei pronunciou, diante do altar, antes de sua unção, de preservar a justiça para todos e de lutar pela paz. Este sagrado compromisso imputado na catedral era exatamente o programa político que ele gostaria de levar avante a partir do trono. Ambos sentimos isso de modo tão forte que quase nenhuma palavra foi necessária entre nós”. (Excerto de: Gordon Brook-Shepherd: The Last Habsburg, Weybright and Talley, New York, 1968)
O rito da coroação é descrito pela Dr.ª Maria Holbacher: “Mediante o rito sagrado, o qual é liturgicamente conferido ‘pela graça de Deus’ como um sacramental, ele se torna soberano e fica impregnado da graça divina para assumir o específico posto de sua alta vocação, de modo que venha a governar os povos a ele confiados na paz e prosperidade, para a salvação deles. A cerimônia da coroação se dá antes do ofertório da Santa Missa e é semelhante à Profissão Solene, à Ordenação Sacerdotal, à Benção dos Abades e à Consagração dos Bispos, nas quais o candidato prostra-se no chão diante do altar, enquanto se reza a Ladainha de todos os santos. O Primaz da Hungria, Arcebispo de Esztergom, preside o rito da coroação e celebra a Missa. Depois de uma longa oração, durante a qual o candidato à coroação permanece em pé, ele é ungido com o sagrado crisma e investido com os emblemas e insígnias reais, enquanto cada uma de suas sagradas obrigações é citada individualmente. O procedimento é esse para que o candidato compreenda claramente que as normas e expectativas das obrigações éticas e das ações morais são tão altas que a capacidade humana sozinha é incapaz de realizá-las sem o auxílio divino”.
A fidelidade do Beato Carlos como monarca ungido é distintiva. Ele preferiu ser mal julgado, difamado, exilado e reduzido à completa pobreza a ser desleal ao juramento de sua coroação. Estava pessoalmente convicto de que nunca haveria de abdicar, pois tinha recebido, de modo irrevogável, a coroa das mãos de Deus, através dos representantes da Igreja.
O Padre Maurus Carnot, O.S.B., que assistia pastoralmente o Imperador Carlos quando de seu exílio na Suíça, ouviu-o declarar com determinação: “Mas, eu jamais renunciarei o juramento de minha coroação. A Coroa de Santo Estêvão é sagrada para mim. Podem tirar-me a vida, mas nunca, nunca, nunca poderão tirar meu juramento e a santa Coroa”.
A Imperatriz Zita seguiu o exemplo de seu marido por toda a sua vida e permaneceu firme em sua recusa a abdicar.
Oração:
Meu Senhor e meu Deus, eu vos agradeço pela fidelidade do Imperador Carlos à sua vocação. Ajudai-me para que também eu possa cumprir fielmente minhas responsabilidades. Ouvi minhas súplicas e atendei o meu pedido (menciona-se, aqui, a intenção) por intercessão do Beato Imperador Carlos da Áustria.
Oitavo Dia: Fiel cumprimento da vontade de Deus
O Imperador Carlos procurou a vontade de Deus em tudo quanto fez. Para ele, esta era a regra mais importante de sua vida e de suas ações. Testemunhas falam também de seu amor pela castidade e de sua absoluta recusa em tolerar uma linguagem indecente na sua presença.
Em seu leito de morte, disse à Imperatriz Zita: “‘Zangar-se? Lamentar-se? Quando se conhece a vontade de Deus, tudo está bem’. E, pouco depois: ‘Agora, quero dizer-lhe com absoluta franqueza como se dá comigo: Todo o meu empenho sempre foi reconhecer claramente, em tudo, a vontade de Deus e segui-la da maneira mais perfeita’. E depois de algum tempo, repetiu: ‘Apenas não nos lamentemos’”.
A frase “Seja feita a vossa vontade!” foi um princípio orientador na vida do Beato Carlos e ele a repetiu pouco antes de depor sua alma nas mãos do Criador. Com Cristo, o Imperador Carlos podia dizer: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou”. Tinha recebido a incumbência de dirigir seus povos como regente de Deus, e como tal, este nobre monarca subordinou-se e deu-se a si mesmo em humilde serviço. Estava preparado para o Céu, e esta foi a razão pela qual o Senhor o pôde chamar para junto de si.
Para ele, os outros sempre estavam na frente; ele sempre vinha por último. Sob este aspecto, o Imperador Carlos é um bom exemplo de um homem devoto da Virgem Maria, que deu o seu “Fiat” e disse: “Faça-se em mim segundo a vossa palavra”. Sua alma pura espelhava o “Fiat” da Mãe de Deus.
Mesmo na sua última doença e num delírio febril, ele só pensava em cumprir suas obrigações: “Ora, [estava preocupado] com as crianças vienenses para as quais tentava conseguir leite; ora, com um soldado checo internado num hospital militar e que ardia em sede. E estava sempre atormentado com a negligenciada evacuação da Transilvânia antes da invasão romena, assunto que fora causa de violentas batalhas verbais entre ele e o Conde Tisza”. O I
mperador Carlos seguiu o exemplo de seu Senhor e Salvador, que sofreu sozinho no Horto das Oliveiras, e em meio às suas maiores provações, bebeu com Cristo o cálice do sofrimento. Aceitou a vontade de seu Pai em suas grandíssimas aflições – as quais, todas, excederam os padrões da normalidade – e, ainda, apesar de tudo isso, o Beato Carlos podia dizer: “Agradeço ao nosso amável Deus por tudo o que ele me envia”.
Oração:
Meu Senhor e meu Deus, eu vos agradeço pelo “Fiat” do Imperador Carlos em todas as situações de sua vida. Ajudai-me a reconhecer a vossa vontade em minha vida e a segui-la. Ouvi minhas súplicas e atendei o meu pedido (menciona-se, aqui, a intenção) por intercessão do Beato Imperador Carlos da Áustria.
Nono Dia: A Bem-aventurada Virgem Maria
No dia de seu falecimento, o Imperador perguntou à sua esposa que dia era aquele. “O dia da Mãe do Senhor”, respondeu a Imperatriz. “Então, sábado”, ele confirmou contente. Depois de sua morte, o corpo do Imperador Carlos foi colocado na igreja mariana de Nossa Senhora do Monte, na Ilha da Madeira, onde jaz ainda hoje.
Por toda a sua vida, o manto protetor de Maria envolveu o Imperador Carlos, como se pode perceber nos acontecimentos mais relevantes de sua existência. “O dia 19 de novembro [dia de sua chegada na Ilha da Madeira] era um sábado. Muitas das datas mais importantes da vida do Imperador se deram em sábados. Ele foi crismado num sábado; atingiu sua maioridade e casou-se em dias de sábado; foi coroado Rei da Hungria num sábado. Foi também num sábado que o Rei retornou à pátria húngara em sua primeira tentativa de restaurar a monarquia, e foi num sábado depois que a segunda tentativa de restauração húngara tinha fracassado que ele se negou, com terríveis conseqüências, a renunciar a todos os direitos ao trono. Foi num fatídico sábado que a família mudou-se para a brumosa atmosfera do Monte; e o último dia da vida do Imperador, 1º de abril de 1922 – quando Deus chamou seu fiel servo de volta à casa –, era um sábado”.
Com o terço nas mãos, o Imperador Carlos combateu espiritualmente as batalhas de sua vida. É exemplar o fato de que ele rezava o terço, fielmente, todos os dias. Sim, as contas do terço, que ele recebeu do Papa São Pio X, haveriam de deslizar por entre seus dedos quando ele rezava suas orações quotidianas. Negócios de governo poderiam estar urgentemente exigindo sua atenção, contudo, o Imperador ainda arranjava tempo, de modo que tivesse para si ao menos meia hora para rezar o terço.
Como fiel filho de Maria, ele honrou sua Mãe do céu imitando-a. Modéstia, humildade e uma natureza aberta, amiga e cativante foram algumas das virtudes que ele cultivou dentro de si. Estima da vontade de Deus, devoção a uma profunda vida de oração e devoções marianas eram normas fundamentais em sua vida. Como um amável monarca e pai, ele permitiu que seu coração fosse transpassado por uma espada de dor, tal como o coração da Bem-aventurada Mãe foi transpassado quando ela estava de pé junto à cruz de seu Filho.
Oração:
Meu Senhor e meu Deus, eu vos agradeço pelos maternais cuidados de Maria na vida do Imperador Carlos. Ajudai-me para que eu possa seguir fiel e devotamente o seu exemplo e reze o terço todos os dias. Ouvi minhas súplicas e atendei o meu pedido (menciona-se, aqui, a intenção) por intercessão do Beato Imperador Carlos da Áustria.
Liga de Oração do Imperador Carlos
para a Paz dos Povos
(Kaiser Karl – Gebetsliga für den Völkerfrieden)
Quando o Beato Carlos tinha apenas oito anos, Madre Vinzentia, uma estigmatizada do convento das Ursulinas em Sopron, Hungria, aconselhou “que o jovem Arquiduque fosse envolvido em orações, pois haveria de se tornar Imperador, sofrer muito e ser um alvo do Inferno”. A partir de então, um pequeno grupo começou a rezar por ele e por suas intenções. A importância desta previsão e a necessidade de orações manifestaram-se por si sós em sua vida de sofrimentos, exílio e morte precoce. A Providência Divina, contudo, permitiu que agora as virtudes do Beato Carlos estejam se tornando conhecidas para revelar sua verdadeira personalidade, livre das mentiras da propaganda e das calúnias. A começar de sua santa morte, e prosseguindo até os dias atuais, pessoas que sofrem e estão oprimidas buscam auxílio junto dele, e muitas orações têm sido atendidas através de sua intercessão.
Dado que o Imperador Carlos tentou constantemente realizar a paz durante seu breve reinado, ele é, sem dúvida, um poderoso intercessor pela paz no mundo de hoje. O pequeno grupo inspirado por Madre Vinzentia tornou-se a Liga de Oração e espalhou-se por vários países em todo o mundo.
No 50º aniversário da morte do Imperador, em 1º de abril de 1972, uma comissão eclesiástica e membros de sua família abriram seu túmulo. Seu corpo foi encontrado incorrupto e, desde então, a Causa de Beatificação e Canonização do Imperador Carlos tem sido levada avante.
Aos 12 de abril de 2003, o Papa João Paulo II proclamou as virtudes heróicas do Imperador Carlos e concedeu-lhe o título de Venerável. No decreto de promulgação, afirma-se: “Ele foi um homem de incontestável integridade moral e sólida fé, que sempre tentou fazer o melhor para os seus povos e que, nos atos de seu governo, conformou-se à doutrina social da Igreja. Promoveu a justiça e a paz com o constante desejo da santidade. Foi um cristão, esposo pai e monarca exemplar”.
Aos 20 de dezembro de 2003, um milagre atribuído ao então Venerável Carlos foi aprovado pelo Papa João Paulo II, abrindo o caminho para a cerimônia de beatificação. O milagre está relacionado com uma Irmã polonesa encarregada de um grande hospital no Brasil. Na década de 60, ela teve sérios problemas com suas pernas e ficou acamada, sem poder andar. Depois de várias operações sem sucesso, suas pernas ainda não tinham sido curadas. Infeccionaram-se e tornaram-se uma constante fonte de dores. Quando outra Irmã lhe sugeriu para rezar para o Imperador Carlos, ela refutou tal sugestão, preferindo um santo mais familiar e popular. No entanto, as dores e a infecção só aumentavam e surgiu a possibilidade de uma amputação. Finalmente, desesperada, a Irmã rezou para o Imperador Carlos. No dia seguinte, ela estava completamente curada. Em virtude do trabalho exercido pela Irmã e das numerosas operações, seu caso está bem documentado por vários médicos e enfermeiras.
Aos 3 de outubro de 2004, o Papa João Paulo II beatificou o Imperador Carlos da Áustria na Praça de São Pedro.
Os membros da Liga de Oração procuram seguir o exemplo do Beato Imperador Carlos:
Com isto em mente, comprometem-se a:
Deus todo-poderoso,
vós chamastes, desde toda eternidade, o Beato Carlos à dignidade de ser o soberano e pai de muitas nações, e o escolhestes para trilhar o real caminho da cruz. Nós vos pedimos humildemente que lhe seja concedida a honra de ser canonizado e que, seguindo o exemplo de suas virtudes, obtenhamos a graça de tornar nossos corações sempre mais semelhantes ao Sagrado Coração do vosso dileto Filho. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
A Liga de Oração não pede aos seus membros nenhum pagamento de taxas, mas doações para cobrir despesas são encarecidamente agradecidas. Para informações, doações e relatos de graças obtidas, entrar em contato com:
Gebetsliga-Präsidium
p.Adr. Ministerialrat Johannes R. Parsch
Diefenbachgasse 45-47/3/1/7
A – 1150 Wien
Österreich/Austria
Ou
League of Prayers
c/o Br. Nathan Cochran, O.S.B.
Saint Vincent Archabbey
300 Fraser Purchase Road
Latrobe, Pennsylvania 15650
U.S.A.
gebetsliga@stvincent.edu